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Pequenos Escritores do Colégio
Desde: 25/02/2018      Publicadas: 11      Atualização: 12/04/2018

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 Crônicas Mórbidas

  02/03/2018
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Falta

Em meu quarto há uma parede com milhares de buraquinhos. Eles são redondos, pequenos e sua coloração é em um tom acinzentado.

Já tentei tampar aqueles buracos com cimentos, com panos enormes e com outro papel de parede em cima, mas sempre que me distraio os buraquinhos voltam a aparecer.

Por vezes, passo horas tentando esconder apenas um deles, mas então, eu percebo que um novo surge por entre a parede e passo mais algumas horas para tampar este novo morador.

Alguns deles transbordam água que inundam o quarto inteiro, outros, saem insetos dos quais tenho medo. Eu enfrento o medo, tento respirar em baixo d’água, e isso tudo é apenas para tampa-los e apenas para ver a parede lisa novamente

Quando eu saio para ir em algum lugar, consigo ouvir o barulho da parede rachando, descascando e caindo no chão. Já não me questiono e muito menos me impressiono ao chegar em casa. E nos momentos fora de casa, percebo que não interessa quantas vezes eu mude de casa, durma em casa de amigos ou na casa de minha mãe – a parede sempre vai estar por lá.

Todos nós temos uma parede dessas e não importa onde a mesma apareça – quarto, sala, ambiente de trabalho –, só nós sabemos o quanto pesa e o quanto aperta.

Quando me deito, pego-me imaginando como seria se não houvesse nenhum buraquinho ali, imaginando como seria sua cor se ela não tivesse esse problema. E saindo desse sonho, percebo que um sorriso falho se forma em meu rosto e durmo quase que profundamente.

Alguns buraquinhos são maiores do que outros; uns são do tamanho de um grão de arroz, outros de um grão de sal e outros do tamanho de um melão, mas nenhum ganha daquele que fica no meio da parede: este já é enorme e mais doloroso de se ver. Quando chego perto deste, lagrimas caem apressadamente de meus olhos e eu não tenho forças para colocar a mão em sua frente e muito menos para cobri-lo.

Fora então em uma noite qualquer que me aproximei deste chorar, mas percebia que o aperto em meu peito ainda permanecia ao olhar além dele.

– Então é assim...

Um sorriso falho surge em meus lábios e finalmente arranjo coragens para colocar minha mão em sua frente, diferenciando o tamanho de minha palma para aquela abertura que há muito tempo me fazia transbordar por meus olhos.

– Então é assim que a falta se parece.

  Autor:   Marhostil


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